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Estudo de Caso

China em 40 dias

Com produção superior a 35 mil peças por mês, linha industrial da Bosch é modernizada, desmontada no Brasil e remontada na Ásia – em prazo recorde

Linha da Bosch: 22 metros de comprimento

Nada como resolver um problema grande com uma grande solução. Partindo desse princípio, a Bosch resolveu encontrar um destino mais nobre a uma linha de montagem de motores de partida desativada há quase dois anos em Campinas, no interior de São Paulo. A linha industrial, chamada NKW, vinha ocupando espaço, gerando custos de locação e nada produzindo além de gastos. A solução veio do outro lado do planeta: uma das fábricas Bosch na China buscava alternativas para a produção de motores de partida para a Toyota, e a oferta brasileira caiu como uma luva. O problema então passou a ser outro: como desmontar uma linha com centenas de itens, muitos dos quais com documentação perdida, e colocá-la em funcionamento perfeito no mais curto prazo? Para piorar, seria preciso ensinar aos técnicos chineses como operar a linha de produção e como mantê-la em funcionamento.

A resposta foi dada pela Jonfra, uma parceira de negócios que já soma mais de 20 projetos em parceria com a Bosch.

Contrato assinado, uma equipe da Jonfra tomou rumo de Campinas – sabendo que a cidade seria apenas uma escala em uma viagem bem mais longa que a levaria a Changsha, na China. O primeiro passo foi reativar linha, verificar seu funcionamento e fazer a manutenção necessária para que ela pudesse ganhar nova casa.

“Não foi nada fácil”, conta o engenheiro e coordenador geral do projeto Marcel Ferro, da Jonfra. “No momento da análise vimos que várias peças haviam sido canibalizadas e outras estavam irremediavelmente estragadas pelo desuso. Tivemos de fabricar manualmente o que faltava para deixar tudo no ponto.”

As peças não foram nada perto do que estaria por vir. Uma das grandes dificuldades foi a tradução detalhada, de português para inglês, do manual da linha – um megacalhamaço formado por 14 pastas, cada qual com 500 folhas de textos e diagramas. Depois, a equipe da Jonfra teve ainda de dar treinamento para os operadores chineses, que falavam nada de inglês ou português e tudo de mandarim.

Antes da China, porém, o time de engenheiros e técnicos comandado por Ferro precisou desmontar a linha NKW – de 22 metros de comprimento por 2,5 de altura – documentando-a como a um quebra-cabeças gigante, de forma a efetuar a remontagem mais tarde.

“Tivemos de embeber o equipamento em sachês de silício para que não sofresse com a umidade”, explica Paulo Butzloff, projetista da linha e responsável da Bosch Campinas. Partindo daí foram dois meses de viagem, do porto de Santos para Changsha, na China.

“A ajuda da Jonfra foi básica para o tamanho e importância da missão”, acrescenta Butzloff. “Ela se encarregou com perfeição do projeto, software, montagens elétrica e mecânica, tradução de documentação e start-up da linha. Nunca tivemos quaisquer dúvidas de que daria certo.”

Tzu (Bosch China), Paulo (Bosch Brasil) e Marcel (Jonfra): adaptação rápida

As 16 toneladas de equipamento chegaram sãs e salvas ao destino, distribuídas em contêineres High Cube de 40 pés e um Dry de 20 pés. Os operadores chineses já aguardavam para a montagem e o treinamento. “O difícil é que os chineses falavam em mandarim e não tínhamos muita noção do dialeto”, conta Marcel Ferro, que antes da viagem fez um curso rápido de chinês. Ainda assim, a equipe precisou da ajuda de um tradutor para o treinamento. O escolhido, Jorge Wang, falava português mas não conhecia muitos termos técnicos. Mas no final deu tudo certo.

Depois de 40 dias de muito trabalho, correria de um lado para o outro, testes, de comida “diferente” e do frio que chegava fácil a cinco graus, além da saudade dos que ficaram no Brasil, a equipe da Jonfra ganhou o prêmio da sensação de missão cumprida.

“Uma experiência para não ser esquecida. Além das dificuldades, tivemos o prazer de interagir com pessoas de diferentes nacionalidades – o gerente industrial era alemão, o coordenador geral indiano, o preparador australiano e os operadores, chineses. Tudo somado, foi uma dessas experiências que nos colocam em contato com nosso limite pessoal”, diz Marcel, “e isso é sempre ótimo.”

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